Resumo - Neil Gaiman: Storytelling em tempos de mudança
No dia 26 de novembro, a editora Intrínseca divulgou em seu canal uma entrevista com Neil Gaiman, autor de Coraline, Belas Maldições e Sandman.
Dentre as várias perguntas, o autor tratou de temas como processo criativo durante a pandemia, publicação intermídia e literatura fantástica.
Para o post de hoje, separei um breve resumo das respostas que, para nós, escritores, podem ser interessantes. Escolhi minhas favoritas, então, caso prefira o conteúdo na íntegra, o link para a entrevista completa estará disponível no final do post.
Boa leitura!
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Alguma coisa mudou no modo de contar histórias nesse último ano?
Para essa primeira pergunta, Neil comenta que o COVID-19 mudou, e muito, o modo como as pessoas contam suas histórias. Nesse processo de isolamento, muitos de nós, incluindo autores e leitores, redescobriram suas próprias fragilidades, o funcionamento dos sistemas em que vivemos etc. Essas redescobertas, e novas informações, mudam o modo como fazemos histórias e como, de certo modo, encontramos conforto na ficção.
Como você consegue produzir conteúdos diferenciados para diferentes formatos de mídias?
Com relação à produção em diferentes mídias, Gaiman comenta que, já tendo produzido histórias para diferentes formatos, ele nunca acreditou que um ou outro seria mais privilegiado. Nessa resposta, Neil destaca a necessidade de explorar a mídia em que se produz para aprender com as limitações que vêm com cada formato.
A literatura fantástica sempre foi tida como periférica pela crítica. Você acha que isso mudou hoje em dia?
Para essa pergunta (que tenho minhas ressalvas...) Neil começa comentando que, para ele, a noção de fantasia na literatura é muito mais de cunho comercial que, de fato, algo que é considerado pelo artista no processo de produção.
"Ao longo de toda a história da humanidade, a fantasia tem sido uma das forças motivadoras mais importantes. "Citando textos como Odisséia, Illiada e a Bíblia, Gaiman comenta que, por anos, as narrativas cheias de magia e milagres descreveram o mundo que víamos. E argumenta que essa noção da fantasia como periférica não é verdadeira, principalmente se considerando autores como Tolkien, Lord Dunsany e Charles Dickens, por exemplo.
O que você diria para uma autora iniciante que quer escrever uma história mas sente que ela já foi contada?
Neil foi direto ao ponto:
"Não importa. As suas histórias não foram contadas. As histórias que só você pode contar, ainda não foram contadas."
Como é o seu processo criativo
Gaiman comenta que seu processo criativo é formato por constantes adições de novos conteúdos. Ele começa sua história e sente que durante sua construção todo o conteúdo vai crescendo e tomando novas dimensões de tal forma que, quando chega ao final, é necessário retornar ao início, já conhecendo melhor o mundo criado, para reorganizá-lo.
"O começo de meus livros é geralmente a última parte a ser escrita."
No que você pensa quando está escrevendo suas histórias?
Gaiman explica que sua maior preocupação durante a escrita é fazer o leitor passar a página. Ter uma história que o convença a continuar lendo é o ponto alto do processo, e todo o restante é secundário.
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Para ajudar quem está precisando de novas referências, listei alguns dos autores recomendados por Neil Gaiman durante a entrevista:
- Jorge Luis Borges
- Julio Cortazar
- Ursula K. Le Guin
- Jemaine Clement
- Margo Lanagan
Quer conferir a entrevista completa?
Abaixo você confere o vídeo já legendado!







